Higiene da linha de água de bebida e biofilme
O biofilme que se forma dentro da linha de bebedouros abriga bactérias e compromete o efeito das vacinas e dos produtos administrados pela água. Este artigo explica como o biofilme se forma e por que a limpeza da linha precisa ser uma tarefa regular.
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Este conteúdo destina-se apenas a fins educativos e informativos. Não constitui diagnóstico, tratamento ou recomendação de dose e não substitui o exame por um médico-veterinário. Para decisões de tratamento, consulte o seu médico-veterinário e a bula aprovada do produto.
Na avicultura, a água é o insumo mais consumido e o menos monitorado. Mesmo que a água que entra no galpão seja limpa, o interior da linha de bebedouros (nipple) quase sempre passa despercebido. O biofilme que se forma ali é ao mesmo tempo um reservatório de agentes e um obstáculo que compromete o efeito dos produtos administrados pela água.
O que é biofilme?
O biofilme é uma camada polissacarídica pegajosa, produzida pelas bactérias que aderem à superfície interna da tubulação. As bactérias vivem imersas nessa camada.
Essa estrutura tem duas propriedades importantes. A primeira: depois de aderirem a uma superfície, as bactérias tornam-se muito mais resistentes aos desinfetantes do que em estado livre; acrescentar cloro à água em dose normal não alcança as bactérias que estão dentro do biofilme. A segunda: o biofilme se desprende continuamente em pequenos fragmentos e libera bactérias na água — ou seja, a própria linha é uma fonte de contaminação.
O que alimenta o biofilme?
Os principais fatores que aceleram a formação do biofilme:
- Açúcar e matéria orgânica. Produtos com vitaminas, eletrólitos e açúcar administrados pela água são alimento direto para o biofilme. Não lavar a linha depois desse tipo de produto é um dos erros mais comuns.
- Baixa velocidade de fluxo. Os trechos pouco usados na extremidade da linha são os locais onde o biofilme é mais denso.
- Temperatura. A água morna acelera a formação do biofilme; os trechos da linha expostos ao sol são de risco.
- Teor mineral da água. O depósito de calcário que se forma em águas duras oferece superfície de aderência para as bactérias.
- Períodos de vazio. A linha que fica cheia de água entre os lotes é a condição ideal para o biofilme.
A relação com a aplicação de vacinas
Este é o efeito mais direto do biofilme. Quando as vacinas vivas são administradas pela água, o resíduo de desinfetante na linha inativa o vírus vacinal. Por isso, antes da vacinação pela água, a linha precisa ser liberada do desinfetante.
Surge aqui um problema de equilíbrio: desinfetar a linha continuamente controla o biofilme, mas cria dificuldade no dia da vacinação; não desinfetar nunca faz o biofilme crescer. A solução é planejar em conjunto os calendários de desinfecção e de vacinação — esta é uma das respostas mais frequentemente esquecidas à pergunta de por que uma vacina parece não funcionar.
O mesmo princípio vale para os demais produtos administrados pela água: os depósitos na linha podem impedir que o produto se distribua igualmente por todo o lote.
O que fazer na prática?
Limpeza da linha entre lotes. Quando o galpão está vazio, lavar a linha com um produto de limpeza em alta concentração é a forma mais eficaz de remover o biofilme mecânica e quimicamente. Esse procedimento só pode ser feito na ausência dos animais. A escolha do produto e a concentração devem ser adequadas ao material da tubulação.
Manutenção durante o lote. Com o lote alojado, a desinfecção diária da linha e a lavagem regular a partir da sua extremidade (flushing) retardam o novo acúmulo de biofilme.
Lavagem após a administração de produtos pela água. Lavar a linha depois de uma aplicação com açúcar, vitaminas ou eletrólitos é necessário para não deixar alimento para o biofilme.
Controle da pressão e do fluxo dos bebedouros. Reduzir os trechos estagnados na extremidade da linha limita o acúmulo de biofilme.
Monitoramento da qualidade da água. Tão importantes quanto as amostras periódicas colhidas na fonte são as amostras colhidas na extremidade da linha. A diferença entre as duas mostra a contribuição da própria linha — e essa diferença é, na maioria das vezes, surpreendente.
Por que isso é negligenciado?
A linha de bebedouros é invisível. O biofilme em seu interior não é percebido enquanto a linha não for desmontada. Em contrapartida, seu efeito aparece de forma indireta: nos casos de diarreia, na resposta vacinal mais fraca do que a esperada e na perda de uniformidade do lote.
Se você observa problemas intestinais inexplicados no lote ou resposta vacinal abaixo do esperado, uma amostra de água colhida na extremidade da linha é um passo de baixo custo e, na maioria das vezes, esclarecedor.
Planeje o seu programa de limpeza da linha de água, e a compatibilidade dele com o seu calendário de vacinação, junto com o médico-veterinário que conhece o lote.
Referências
- Swayne D.E. (ed.) — Diseases of Poultry, Wiley-Blackwell
- Maharjan P. et al. — Poultry water quality and biofilm management, Poultry Science
Apenas educativo — não é diagnóstico, tratamento ou dose.