Doenças Aves Básico 4 min de leitura

Coccidiose em aves: ciclo de vida e localização no intestino

A coccidiose é a doença intestinal causada por espécies de Eimeria. Este artigo descreve o ciclo de vida do parasita, qual espécie ocupa qual parte do intestino e os princípios básicos em que a prevenção se apoia.

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Coccidiose em aves: ciclo de vida e localização no intestino Ilustração gerada por IA

Este conteúdo destina-se apenas a fins educativos e informativos. Não constitui diagnóstico, tratamento ou recomendação de dose e não substitui o exame por um médico-veterinário. Para decisões de tratamento, consulte o seu médico-veterinário e a bula aprovada do produto.

A coccidiose é uma doença que surge da multiplicação, no epitélio intestinal, de parasitas unicelulares do gênero Eimeria. É uma das doenças parasitárias mais comuns na avicultura e, mesmo sem quadro clínico visível, pode gerar perdas ao comprometer a conversão alimentar.

Especificidade de hospedeiro e de local

As espécies de Eimeria são seletivas em dois aspectos. O primeiro é a especificidade de hospedeiro: as espécies que afetam a galinha não afetam o peru, e as que afetam o peru não afetam a galinha. O segundo é a especificidade de local: cada espécie se estabelece em uma parte determinada do intestino.

É essa segunda característica que permite, na necropsia, formar uma ideia de qual espécie está envolvida a partir da localização da lesão.

EspécieLocal de estabelecimento
E. acervulinaDuodeno e porção anterior do intestino delgado
E. maximaPorção média do intestino delgado
E. necatrixPorção média do intestino delgado (esquizogonia), cecos (gametogonia)
E. tenellaCecos
E. brunettiPorção posterior do intestino delgado, reto, cloaca
E. mitisPorção posterior do intestino delgado

Ciclo de vida

O ciclo começa com o oocisto esporulado presente no ambiente; a ave o ingere da cama do aviário.

  1. Ingestão e abertura. O oocisto é aberto na moela e no intestino por ação mecânica e enzimática; os esporozoítos de seu interior são liberados.
  2. Esquizogonia (multiplicação assexuada). Os esporozoítos penetram nas células epiteliais do intestino e, dentro delas, dividem-se em grande número de merozoítos. A célula se rompe, e os merozoítos invadem novas células. Essa fase se repete algumas vezes e é a fonte do principal dano tecidual — é por isso que, a partir de um único oocisto, chega-se à destruição de um grande número de células.
  3. Gametogonia (multiplicação sexuada). Depois de algum tempo, os merozoítos transformam-se em formas masculinas e femininas, que se unem formando o zigoto.
  4. Eliminação do oocisto. O zigoto constrói ao seu redor uma parede resistente e é eliminado nas fezes como oocisto não esporulado.
  5. Esporulação. Para se tornar infectante no ambiente externo, o oocisto precisa de oxigênio, umidade e temperatura adequada. Em condições favoráveis, isso costuma levar 1–2 dias.

A conclusão do ciclo varia conforme a espécie, mas em geral leva 4–7 dias.

O quinto passo é o mais importante do ponto de vista do manejo no campo: o oocisto não é infectante enquanto não esporular no galpão. Como a esporulação exige umidade, manter a cama do aviário seca reduz diretamente a pressão de coccidiose. Cama úmida e linha de bebedouros (nipple) com vazamentos criam a condição mais favorável possível para a coccidiose.

Quadro clínico

Nas infecções graves observam-se diarreia com sangue ou muco, penas eriçadas, apatia e queda no consumo de ração e de água. Em E. tenella, o sangue nos cecos é evidente.

No campo, porém, a principal perda econômica costuma estar na forma subclínica: não há quadro de doença evidente, mas, como a superfície de absorção foi danificada, a conversão alimentar piora, a uniformidade do lote cai e o crescimento desacelera. Nessa forma, o diagnóstico só se estabelece por necropsia e escore de lesões.

Uma segunda consequência da coccidiose é que o epitélio intestinal danificado prepara o terreno para outros agentes; a enterite necrótica associada a Clostridium perfringens é o exemplo conhecido disso.

Os princípios em que a prevenção se apoia

Na coccidiose, o objetivo não é a eliminação total do parasita — isso não é possível na prática. O objetivo é manter a pressão do agente em um nível contra o qual a ave possa desenvolver imunidade.

A ave desenvolve imunidade contra a Eimeria; essa imunidade, porém, é específica de cada espécie do parasita e se constrói com exposição contínua em nível baixo. Os elementos fundamentais do manejo são:

  • Manejo da cama. A cama seca limita a esporulação. O controle dos vazamentos na linha de bebedouros, a ventilação e a profundidade da cama servem diretamente a esse objetivo.
  • Limpeza e vazio sanitário. Os oocistos são resistentes no ambiente e a muitos desinfetantes. Por isso a limpeza mecânica e o vazio sanitário entre os lotes são importantes.
  • Densidade. A alta densidade de alojamento aumenta a carga de oocistos por unidade de área.
  • Programa de controle. Os anticoccidianos administrados pela ração e as vacinas contra a coccidiose são planejados conforme a região e o tipo de produção. A escolha e a rotação desse programa são decisão do médico-veterinário e estão sujeitas à legislação do seu país.

Se há suspeita de coccidiose no seu lote, o diagnóstico precisa ser confirmado por necropsia e avaliação das lesões. Tome as decisões de programa junto com o médico-veterinário que conhece o lote.

Fluxograma do ciclo de vida de Eimeria, com as fases que ocorrem na ave e as que ocorrem na cama do aviário.
Ciclo de vida de Eimeria. A faixa superior mostra as fases na ave; a inferior, as fases na cama do aviário — o oocisto não é infectante antes de esporular na cama.

Referências

Apenas educativo — não é diagnóstico, tratamento ou dose.

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