Mecanismos de ação Básico 4 min de leitura

O que é resistência antimicrobiana (RAM)?

A resistência antimicrobiana é a capacidade das bactérias de sobreviver a medicamentos que antes eram eficazes. Este artigo explica como a resistência surge, como se dissemina e por que o uso prudente na saúde animal é responsabilidade de todos.

Última atualização:

O que é resistência antimicrobiana (RAM)? Ilustração gerada por IA

Este conteúdo destina-se apenas a fins educativos e informativos. Não constitui diagnóstico, tratamento ou recomendação de dose e não substitui o exame por um médico-veterinário. Para decisões de tratamento, consulte o seu médico-veterinário e a bula aprovada do produto.

A resistência antimicrobiana (RAM) é a capacidade das bactérias de sobreviver diante de um medicamento que antes era eficaz. Quando a infecção se torna resistente, o tratamento falha: a doença se prolonga, o bem-estar animal se deteriora e as opções restantes diminuem.

Uma distinção importante: quem desenvolve resistência é a bactéria, não o animal nem a pessoa. Isso também explica por que o tema diz respeito tanto à saúde animal quanto à saúde humana.

Como a resistência surge?

Uma população bacteriana nunca é uniforme. A cada divisão ocorrem pequenas alterações genéticas, e algumas delas — por puro acaso — tornam a bactéria mais capaz de resistir a determinado medicamento.

Quando o antibiótico é aplicado, as bactérias sensíveis desaparecem; as resistentes permanecem, agora sem vizinhas com quem competir. Elas se multiplicam e ocupam o espaço que ficou vazio. Isso se chama seleção: o antibiótico não cria a resistência, ele permite que a resistência já existente venha para o primeiro plano.

As principais estratégias de resistência das bactérias são:

  • Destruir o medicamento — como fazem as enzimas betalactamases ao abrir o anel da penicilina.
  • Alterar o alvo — mudar a forma do sítio de ligação no ribossomo ou na enzima, impedindo o medicamento de se fixar.
  • Expulsar o medicamento — sistemas de “efluxo”, que bombeiam para fora a molécula que entrou na célula.
  • Impedir a entrada — estreitar ou fechar os canais de passagem da membrana externa.

Por que a resistência se espalha rapidamente?

A resistência não passa apenas da bactéria para suas descendentes. As bactérias podem transferir genes de resistência umas às outras — e até a espécies diferentes — por meio de pequenos anéis de DNA chamados plasmídeos. Isso se chama transferência horizontal de genes.

A consequência prática é esta: um gene de resistência surgido em uma bactéria intestinal inofensiva pode depois passar a uma bactéria causadora de doença. Por isso, a resistência gerada em um plantel não fica restrita à doença que estava sendo tratada.

Os plasmídeos com frequência carregam mais de um gene de resistência. Isso significa que o uso de um único medicamento pode selecionar também a resistência a um grupo completamente diferente — situação conhecida como cosseleção.

Princípios básicos do uso prudente

Eliminar completamente a resistência não é possível; o objetivo é retardar sua velocidade e garantir que os medicamentos de que dispomos continuem funcionando. Os princípios acordados pelas organizações internacionais (WOAH, OMS, FAO) são:

Previna a doença antes de tudo. O antibiótico que não é usado não seleciona resistência. Biosseguridade, vacinação, condições de alojamento e manejo do estresse são as medidas mais eficazes contra a resistência.

Trate com base no diagnóstico. Sempre que possível, identifique o agente e utilize o teste de sensibilidade (antibiograma). Assim, escolhe-se o medicamento certo e evita-se o uso desnecessário.

Prefira o espectro estreito. Quando o agente é conhecido, um medicamento de espectro estreito dirigido a ele gera menos seleção colateral do que uma opção de amplo espectro.

Proteja os medicamentos de importância crítica. Grupos que são de última linha na medicina humana, como as fluoroquinolonas e a colistina, devem ser usados apenas quando realmente necessário e na medida em que a legislação permitir.

Complete o tratamento conforme prescrito. A aplicação incompleta cria a condição mais favorável à sobrevivência das bactérias resistentes. A decisão sobre dose e duração cabe ao médico-veterinário.

Respeite o período de carência (withdrawal period). Esse é o tempo necessário para que o nível de resíduos no produto caia abaixo do limite seguro. Para saber como ele é determinado, consulte nosso artigo O ABC da farmacocinética.

Mantenha registros. Registrar o que foi usado, quando e por quê é a única forma de enxergar tendências no plantel e de perceber repetições desnecessárias.

Nossa perspectiva como fabricante

A Medicavet é uma fabricante de medicamentos veterinários — incluindo antibióticos. Isso faz da defesa do uso prudente não uma contradição, mas uma responsabilidade: em um mundo onde a resistência se generaliza, os medicamentos que produzimos também deixam de funcionar. No campo, o valor de longo prazo não vem do uso frequente do medicamento, e sim de sua eficácia quando necessário.

Se você está revisando os protocolos de tratamento da sua criação, faça isso junto com o médico-veterinário que a conhece e dentro da legislação do seu país.

Referências

Apenas educativo — não é diagnóstico, tratamento ou dose.

Trabalhe com a Medicavet

Ciência e confiança, prontas para a sua atividade.

Medicamentos veterinários certificados GMP com suporte técnico em mais de 40 mercados, da avicultura à aquicultura.